Criei o meu projeto de mediação de leitura em 2014 e dei-lhe o nome "
As tartarugas também voam", por ser o título de um dos filmes da minha vida e por acreditar que elas voam de verdade (quando nenhum ser humano está por perto, é claro).
Fui aprendendo a ler histórias em voz alta e a narrá-las, descobrindo que elas se tornam reais, no momento mágico da partilha com o outro. Com aquele que escuta. Com aquele que se deixa emaranhar nos longos fios de palavras que vamos soltando dos livros, da nossa imaginação, da nossa voz, do nosso corpo. E também aprendi, neste trabalho de “liseuse” e narradora, a escutar os outros que, tal como eu, entregam a sua alma à palavra lida, à palavra dita.
Neste caminho que é, acima de tudo, de escuta, descobri o poder maravilhoso das estórias e aprendi, com quem faz da narração o seu ofício, o seu modo de vida, que é possível resgatar contos, memórias e afetos e partilhá-los com quem sabe que as tartarugas, lá do outro lado da vida, também voam.